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Caixa quer ser grande protagonista do mercado de LIGs

São Paulo – O novo presidente da Caixa Econômica Federal, Nelson Souza, acredita que as letras imobiliárias garantidas (LIGs) têm potencial para criar um novo mercado imobiliário no Brasil à medida que adicionarão uma nova fonte de recursos para o segmento.

Similar aos “covered bonds” na Europa, o instrumento está prestes a começar a vigorar no País uma vez que já é lei e depende, apenas, de detalhes regulamentares por parte do Banco Central.

“O BC está em fase final dos encaminhamentos. A LIG não vai se consolidar em um ano, mas em três anos e a Caixa será a grande protagonista deste mercado”, disse o novo presidente do banco, citando a fragilidade da poupança nos últimos anos.

Souza afirmou ainda que mesmo na habitação de mercado, a Caixa é líder do mercado e cresceu 6% no ano passado enquanto o mercado evoluiu 3%. “No ano passado, a Caixa não conseguiu aplicar as prestações que os mutuários pagaram”, ponderou ele, que participou nesta segunda-feira, 9,do Summit Imobiliário Brasil 2018, promovido pelo Grupo Estado.

Funding perene

Souza afirmou que o grande desafio do Brasil sob a ótica da habitação é manter um funding perene para o segmento. “Temos um déficit habitacional de 6,2 milhões de moradias. Há demanda, mas está faltando a outra ponta: os recursos. A habitação de interesse social demanda muito subsídio. As famílias não têm capacidade de pagamento da prestação, apenas de uma taxa”, disse.

A fala de Souza ocorre pouco após ele ter assumido a presidência do banco público com a ida de Gilberto Occhi para o Ministério da Saúde em um cenário no qual a Caixa procura meios de equalizar o seu problema de capital. Apesar de defender a participação da iniciativa privada no setor de habitação, o novo presidente afirmou que a instituição pública tem de continuar a desempenhar o papel de braço operacional do governo neste segmento.

“Precisamos de política pública que vá ao encontro do atendimento dessa demanda por habitação e que está por ser atendida”, reforçou Souza, acrescentando que a conta tem de fechar e que o setor além de funding precisa ter segurança jurídica, mencionando avanços como o patrimônio de afetação e a alienação fiduciária.

O secretário de Estado da Habitação do Governo de São Paulo, Nelson Baeta, afirmou que é preciso união de Estados, Municípios e da iniciativa privada para suprir a demanda da baixa renda por habitação. Segundo ele, o atendimento às classes menos favorecidas representa um verdadeiro nó no segmento.

“As pessoas que recebem de um a 1,5 salários estão fora do mercado e, evidentemente, que não podemos deixá-las fora do mercado. O direito do acesso a moradia é constitucional. Temos de enfrentar”, avaliou Baeta.

‘Xis da questão’

O presidente da Caixa Econômica Federal recomendou uma união de ações entre governo federal, estadual e municipal, em parceria com empresas, para viabilizar empreendimentos imobiliários destinados à população de baixa renda. Na sua avaliação, há uma grande dificuldade em levantar recursos para a construção das moradias de interesse social, pois as únicas fontes de recursos disponíveis para isso são o orçamento público e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

“O ‘xis’ da questão é encontrar o funding para esse tipo de habitação, que depende do orçamento público e do FGTS. Expandir isso não é tão fácil. No orçamento dos governos quase não tem sobrado recursos para investimentos”, comentou.

Segundo ele, o investimento na construção de moradias populares não tem sido suficiente para suprir, ou ao menos amenizar, a demanda da sociedade. “Acreditamos que estamos apenas enxugando gelo”, estimou.

Souza disse acreditar que a saída está nas parcerias entre governos e empresas. “Por exemplo: o governo federal subsidia o imóvel, a prefeitura oferece um terreno e o governo estadual contribui com isenções tributárias”, sugeriu. “E a iniciativa privada diminui um pouco o BDI (taxa referente aos benefícios e despesas de construção, equivalente à margem de lucro). Se todos contribuírem, quem vai ganhar é o povo brasileiro”, apontou.

Dicionário: LIGs: Letras imobiliarias garantidas; Funding: Financiamento; BC: Banco Central.

BRONZATI Aline; BONATELLI Circe. Caixa quer ser grande protagonista do mercado de LIGs. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/negocios/caixa-quer-ser-grande-protagonista-do-mercado-de-ligs/> Acesso em: 04 de maio de 2018.

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Caixa vai reduzir juros para financiamento de imóveis até abril

A Caixa Econômica Federal vai reduzir até o fim do mês os juros do crédito habitacional, disse nesta segunda-feira o presidente do banco, Gilberto Occhi.

“Muito em breve, nos próximos dias acho que a Caixa possa anunciar uma redução de taxa de juros para recursos captados da poupança e do mercado também”, disse Occhi a jornalistas em evento no Rio de Janeiro. “Vamos trazer mais competitividade e queremos competir mais com o mercado já que não fizemos nenhuma redução de juros no ano”, adicionou.

O banco também divulgará até a semana que vem o resultado de 2017, que segundo o presidente da Caixa teria sido o melhor da história devido aos esforços internos e à redução de custos. “Falta apenas relatório final da auditoria independente… Foi o melhor da história e estamos no caminho certo”, afirmou.

CSN

Occhi ainda afirmou que as portas da Caixa estão abertas para renegociação da dívida da CSN. O banco é um dos principais credores da siderúrgica de Volta Redonda (RJ), ao lado do Banco do Brasil. Juntas, as instituições têm quase metade da dívida da CSN.

“Estamos dispostos a discutir, analisar e fazer o melhor com a CSN”, disse o presidente daCaixa, sem detalhar as condições que podem ser oferecidas à empresa.

Fonte: Revista Exame

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Mercado imobiliário brasileiro pode crescer 10% em 2018

Os lançamentos e as vendas de imóveis residenciais no Brasil em 2018 devem crescer cerca de 10 por cento ante o ano passado, disse nesta segunda-feira um representante Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

A estimativa para este ano sinaliza uma aceleração do crescimento em relação ao ano passado, quando os lançamentos subiram 5,2 por cento e as vendas aumentaram 9,4 por cento, de acordo com o levantamento da CBIC, com base em 23 cidades e regiões metropolitanas do país.

Mas as projeções da entidade para o mercado imobiliário em 2018 seriam ainda melhores, não fosse pela decisão do governo de adiar a reforma da previdência, destacou o presidente da Comissão da Indústria Imobiliária da CBIC, Celso Petrucci.

“Se tivessem aprovado a reforma da Previdência, nossa expectativa seria muito mais positiva, mas parece que isso ficou para o próximo presidente, então esperamos crescimento em torno de 10 por cento tanto para vendas quanto lançamentos”, disse Petrucci ao apresentar o balanço de 2017.

O presidente da Cbic, José Carlos Martins, destacou ainda que a alta de 10 por cento estimada para 2018 está condicionada a alguns fatores, entre eles a disponibilidade de crédito e a regulamentação dos distratos.

Segundo ele, a Caixa Econômica Federal responde por aproximadamente 70 por cento do financiamento imobiliário e ainda não solucionou seus problemas de enquadramento de capital. Além disso, acrescentou Martins, a caderneta de poupança ainda não se recuperou o suficiente para atender à demanda reprimida no mercado.

“Temos que ter outras formas para entrada de recursos, a Letra Imobiliária Garantida (LIG) é uma delas, mas ainda requer regulamentação”, afirmou o presidente da Cbic.

Ele também ressaltou a importância de se reduzir os juros ao consumidor final, que na avaliação dele devem caminhar para algo em torno dos patamares apurados em 2009 e 2010, entre 8,5 a 9,5 por cento ao ano. “É a taxa que cabe no bolso do consumidor brasileiro”, disse Martins.

Petrucci acrescentou que a Cbic vê potencial de recuperação no preço dos imóveis em 2018, mas alertou que a maior proporção de empreendimentos enquadrados no Minha Casa Minha Vida (MCMV) pode limitar o aumento do valor médio do metro quadrado, em particular na cidade de São Paulo. Em 2017, o preço médio do metro quadrado de área privativa no país foi de 5.999 reais, mostrou a pesquisa.

Fonte: Revista Exame